Desde muito cedo aprendi a admirar as mulheres. Não com o olhar desejoso de homem, mas com o olhar de criatura que vê naquela outra forma um ser algo mais evoluído. Não tenho dúvidas de que Deus criou o homem primeiro como quem traçou o esboço de uma obra prima para, logo em seguida, dar vida a sua criação máxima. Para acentuar este gosto inato pelo feminino, nasci e cresci numa família que cultuava e protegia suas mulheres, as vezes até com excessos. Um estilo de família patriarcal, onde os homens buscavam o provento, estabeleciam ordens e regras, mas dentro do lar, estavam submetidos a fortes figuras matriarcais. Foi assim com meu bisavô paterno e assim com o filho dele.

Não que isso tenha me tornado um profundo conhecedor das mulheres, e coitado daquele que se achar detentor de tal poder. Mas certamente a soma de todas estas experiências e informações me fez compreendê-las de forma muito acima da média masculina. Eu passei a identificar e traduzir muitos sinais que passavam despercebidos pela maioria dos homens e isso me abriu muitas portas - e, numa fase mais canalha, zíperes. Sim, mais uma vez nesse blog eu confesso um pecado. Durante muito tempo eu usei este conhecimento em prol da galinhagem explícita e da conquista desmedida. Mas, mesmo nesta fase menos louvável, eu me diferenciava dos demais canalhas, porque usava de uma sinceridade absurdamente escancarada. Ou seja, elas saíam com o canalha sabendo que eu era assim e o fato de não omitir esta informação lhes dava uma sensação de segurança. Pelo menos elas sabiam onde estavam se metendo.
Só que todo canalha um dia encontra uma mulher que o coloca no trilho e comigo não foi diferente. Aliás, pensando melhor, foi muito diferente. Porque eu saí da vida de galinha para a vida de casado e em pouco tempo me tornei dona-de-casa. Ela trabalhava e eu lavava, passava, cozinhava, arrumava a casa. Anos depois tivemos um filho, ela voltou a trabalhar e eu passei muitos dias cuidando dele. E sabe o mais incrível? Eu adorei. Foi como uma pós-graduação em Ciências Femininas. Naquele momento eu pude compreender ainda mais o universo feminino, a complicação de administrar uma jornada dupla (trabalho e marido) ou tripla (com filho), a dificuldade de manter tudo o que te cerca com a mesma atenção. E meu respeito por elas aumentou ainda mais.

E em especial a você, meu amor, por entrar na minha vida num momento de profundas transformações. Poder contar com seu apoio e seu carinho a cada dia é muito mais do que eu poderia sonhar.