Perdi as contas de quantas vezes li textos sobre a virgindade feminina. Fosse na Vogue ou na Carícia (“a revista da gatinha”, lembram?) o tema sempre foi muito debatido. Mas não me lembro de ter lido uma linha sobre a versão masculina deste “tabu”. É como se a virgindade do homem fosse uma banalidade, algo que todos os caras tiram de letra, sem maiores complicações. Então, depois de uma sugestão da minha pauteira oficial, resolvi comentar o assunto a partir de minha própria experiência.

Porque algumas coisas são quase inevitáveis na primeira vez de um homem. O nervosismo, a ansiedade e a afobação são grandes parceiras neste momento. As roupas não são retiradas, são arrancadas desesperadamente. Fica-se sem saber o que fazer. Não que algum cara tente transar colocando o cotovelo no sovaco da parceira, mas quando se tem uma mulher nua e completamente disponível é natural que o cara fique meio perdido. Como um polvo bêbado, não sabemos onde colocar os oito tentáculos. Peitos, bunda, sexo... Queremos pegar tanta coisa em tão pouco tempo que ficamos confusos e obviamente atrapalhados.
Porque a grande dificuldade do sexo não é o que devemos fazer. Todo mundo sabe para que serve cada parte, quais podem ser beijadas, quais podem ser mordidas e o que combina com o que. O problema maior é o timing - quando fazer cada coisa. E é justamente esse senso de oportunidade que falta ao homem virgem. Acabamos naturalmente atropelando as coisas, pulando etapas e sendo uma experiência inesquecível para nossas parceiras. Porque elas jamais esquecerão como você mandou mal naquele dia. As mulheres que já foram as primeiras de algum homem sabem o que estou dizendo.
A educação sexual masculina se dá de forma errada, baseada em ficções e mitos que só atrapalham a nossa estréia. Pra começar o homem descobre muito cedo a masturbação e a usa até o limite de suas forças como válvula de escape. Nada demais, super saudável e tal, não fosse o fato de que, na masturbação, o objetivo final é o orgasmo e não necessariamente o caminho até ele. Ou seja, passamos anos treinando para ter um orgasmo o mais rápido possível, antes que alguém bata na porta do banheiro. Resultado: ficamos especialistas em ejaculação precoce. Só ao longo da prática é que descobrimos as maravilhas de uma transa sem pressa.
A quantidade de filmes pornôs que assistimos nessa época também prejudica muito o nosso desempenho na estréia. Porque crescemos acreditando em muitos mitos graças a este tipo de “arte”. Em todo filme pornô as mulheres tem orgasmos facilmente e são sempre mini-terremotos, uma transa de 20 minutos é realizada em 28 posições diferentes, o sexo anal é sempre obrigatório e – mito maior – elas não se importam com esperma no olho ou no cabelo.
Está montado todo o cenário para você fracassar com louvor.
